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Como a grande parte de vocês devem saber, a Weekly Shonen Jump, revista em que Yakusoku no Neverland é publicado, está recebendo uma nova safra/leva de séries. Eu pretendia comentar sobre ela aqui há um bom tempo, mas eu resolvi optar por comentar ela agora. 

Como o número de estreias será 6 e as 3 primeiras estreias serão de autores novatos (enquanto as próximas 3 de autores já consagrados na Jump), resolvi comentar as séries quando as 3 séries dos novatos estreassem e depois que a leva terminar, fazer um post falando das séries dos veteranos.

Agora que as 3 séries já estrearam (e já li o primeiro capítulo de cada uma delas), irei dar minha opinião. Acho que tem alguma chance delas sobreviverem? Achei elas boas? Como foi a recepção delas? Além disso, pretendo comentar como/se o sucesso dessas séries podem afetar o desempenho de Neverland, tanto nos TOCs quanto na promoção dada pela Jump ou outros fatores.

Comentando sobre as séries

Bokutachi wa Benkyou ga Dekinai

WSJ102017

Ou We Can't Study, na versão traduzida oficial.

Desde o começo, Bokutachi era o menos esperado da leva no Ocidente. Enquanto muitas pessoas ficaram empolgados com os anúncios de Dr.Stone, Hungry Marie e outras séries, Bokutachi era completamente ignorado, não só pelos brasileiros mas pelo público ocidental em geral.

Isso se deve por vários fatores. O histórico da Jump é um deles, já que a revista nunca teve vários romances de sucesso. Excluindo To Love-RU e Yuragisou no Yuuna-san, mangás que estão mais voltados ao ecchi que ao romance, a Jump teve Video Girl Ai (1989), Kimagure Orange Road (1984), I's (1997), Ichigo 100% (2003) e Nisekoi (2011) como séries de romance de sucesso. Apenas 5 séries.

Além disso, Nisekoi, a última série de sucesso, deixou um gosto amargo na boca de muitos leitores. A série conseguiu caminhar de uma forma satisfatória, mas depois de cerca de 50 capítulos o caminho tomado pelo autor desagradou a muitos. Ele decidiu focar a história da série na parte de comédia, fazendo vários capítulos sem ligação com a história, chegando num ponto que haviam se passado 100 capítulos (ou seja, 2 anos de publicação) e a história ainda não tinha avançado nada.

Devido à isso, muitas pessoas não estavam empolgadas para ver o lançamento de um Romcom na revista, principalmente pelo fato do autor ter feito também Magical Patissier Kosaki-Chan (2014), um Spin-Off de Nisekoi focado na personagem Onodera, pensando que o spin-off continha os mesmos problemas que a série principal.

Agora, falando sobre minhas opiniões da série: Eu gostei dela. Eu não achei sensacional como muitas pessoas e nem horrível como outras. Achei um Romcom muito bem trabalhado (pelo menos em seus 3 primeiros capítulos). Não sabemos como a série irá prosseguir de agora em diante, mas não creio que haverá uma queda de qualidade e, se não houver, as chances de ser cancelada são pequenas.

As opiniões sobre essa série divergiram muito no público ocidental. Muitas pessoas gostaram, várias acharam desinteressante e sem graça. Já no lado oriental, a recepção foi monstruosamente boa, os japoneses adoraram o primeiro capítulo e, embora tenha tido uma queda de aceitação, o segundo capítulo. Como a opinião ocidental, em sua maioria, não serve para nada (Hungry Joker e Black Clover que o digam), o mangá está seguro.

Esse mangá, se sobreviver, afetaria de alguma forma Neverland? Não. O público das duas séries são diferentes demais para que alguns japoneses que votam em Neverland resolvam votar em Bokutachi no lugar. Mesmo quando o assunto é divulgação por parte da Jump (como o recebimento de páginas coloridas e capas), creio que Bokutachi traria mais "rivalidade" para Yuuna-san do que para outros mangás da Jump.

Resumindo: O mangá me agradou, tem grandes chances de sobreviver e não causaria nenhum problema a Neverland, caso sobreviva na revista.

U19

WSJ112017

Escrito por Yuji Kimura, U19 era, no ocidente, a mais esperada das 3 novas séries escritas por novatos. Embora o autor esteja entregando sua primeira serialização, ele já possuía dois One-Shots em seu currículo: Peach Pluck e Garden, que interessaram os ocidentais (não poderei citar nada em relação a eles, já que dei apenas uma folheada na raw de Garden). No entanto, isso era o contrário no Japão, onde a série era a menos esperada por lá (Já que o autor da série seguinte, Poro no Ryuugaku-ki, tinha ganhado a Golden Future Cup de 2015).

Quando o mangá foi apresentado junto com as outras séries, não era descrito qual era seu gênero (como aconteceu com todas as estreias, com exceção dessa e de Poro), porém, não foi difícil perceber que se tratava de um B-Shonen (um mangá focado em lutas). Diferentemente de mangás de romance, mangás de luta são extremamente comuns na Jump e apelam mais para o público geral da Jump, então isso tornaria a sobrevivência de U19 mais fácil, certo? Não necessariamente.

Mesmo possuindo várias estreias anuais e sendo bem comum na revista, não significa que qualquer coisa envolvendo lutas fará sucesso na revista. Vamos pegar o ano de 2016 como um exemplo: Nós tivemos 10 estreias durante esse ano (11, se contarmos Boruto). 

Desses, 4 são mangás de luta - Ibitsu no Amalgam, Kimetsu no Yaiba, Red Sprite e Demon's Plan. Apenas Kimetsu no Yaiba sobreviveu, enquanto os outros 3 foram considerados fracassos de dar pena. A Recepção delas foi pessima, Demon's Plan tem a terceira pior nota de um mangá da Shonen Jump no MyAnimeList. Kimetsu, mesmo tendo sobrevivido, teve vendas bem baixas em sua primeira semana de vendas (15 mil unidades) e só sobreviveu pelo editorial da revista ter gostado da obra. E se considerarmos Boruto, seria ainda pior, porque mesmo tendo vendas boas, ele recebe críticas pesadas em vários fóruns japoneses.

Na Jump não é necessário apenas ser um B-Shonen, precisa ser algo que traga algo diferente, como um enredo mais bem-desenvolvido, uma ambientação diferente, personagens novos, habilidades interessantes, lutas bem feitas, etc. Não basta esperar que o efeito Black Clover aconteça novamente. 

Dando minha opinião em relação a série: Achei sua premissa estranha logo de cara. Um B-Shonen focado em grupo de rebeldes confrontando um governo autoritário é uma ideia sensacional para mim, mas quando vi que o tal governo autoritário seria um governo controlado pelo "Partido dos Adultos", eu dei uma desanimada, já que esperava algo mais sério e a série aparentemente iria seguir um caminho mais infantil, ou como muitos chamaram, uma "versão em mangá de KND".

Quando li o mangá, uma coisa me incomodou muito: O autor parecia não saber para onde guiar a narrativa, se iria fazer algo mais "infantil" ou fantasioso, como estava imaginando depois de ver a sinopse, ou algo mais "realista". O autor, ao meu ver, também não conseguiu passar sensação autoritária vindo do regime, não o fazendo ele "sólido" o bastante para entender o motivo de ter conseguido durar tanto tempo. Houveram uma ou outra referência ao governo nazista e a eugenia, mas, em geral, não foi nada que chamasse muito a atenção de quem se interessa por esse tipo de história.

A arte, em geral, não me interessou. Achei os personagens desenhados pelo autor sem graça e genéricos e não houve nenhum momento da história que eu fiquei admirando a arte (como houve com Poro e Hungry Marie) e o fato dele desenhar todos os membros do Partido de uma forma mais "feia" se tornou mais fonte de humor não intencional do que qualquer outra coisa.

Outro detalhe que queria comentar é sobre o ritmo da série - Ele é lento. Se formos comparar com outras séries, como as que estrearam em 2016, ela tem um ritmo muito mais calmo e que estabelece a história de uma forma mais apropriada que, por exemplo, Red Sprite. Isso é algo ótimo, poucas séries se dão o trabalho de construir melhor seu universo ao invés de apenas irem jogando a história.

Falando sobre a recepção da série: Ela foi quase igual no Ocidente e no Oriente. A série recebeu um número parecido de simpatizantes e de pessoas que acharam a série fraca, porém teve uma baixa quantidade de fãs, ou seja, pessoas que realmente gostaram da série são um número bem pequeno e, ao que tudo indica, é a série com menos chance de sobreviver das 3.

Se ela sobreviver, haveria algum impacto negativo em YNN? Se o autor resolvesse seguir por um caminho mais sério, poderia TALVEZ chegar a dividir um pouco o público (e consequemente os votos) e a publicidade recebida por Neverland, mas se a série seguir um caminho mais fantasioso, não creio que haverá algo assim. (Talvez pegando uma parte do público/publicidade de outros B-Shonen da revista).